quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sanjeevan Hospital New Delhi


Mais 1 semana, mais 1 Hospital.
A semana passou a correr desta vez no Serviço de Cardiologia, entre consulta externa, cuidados intensivos, ecgs, angiografias,… Foi uma semana de elective igual a qualquer um dos estágios que fizemos em Portugal. O Hospital é privado o que condiciona muito o tipo de doentes que vemos. Na Índia é fácil saber se uma pessoa é rica ou pobre! Se é gorda é rica, os pobres são todos magros… por isso neste Hospital, se calhar vou exagerar um bocadinho mas, acho que 80% dos doentes internados tinham excesso de peso. As pessoas internadas tinham na sua maioria complicações de diabetes, problemas cardiovasculares. Também vimos muitos doentes com doenças respiratórias, DPOC descompensada, bronquites, asma, … disseram-nos que são consequências da poluição de Deli. A verdade é que N. Deli está coberta por uma nuvem de poluição. O ar é mais pesado, mais difícil, áspero! Escuro!

Os médicos ficaram muito preocupados por não estarmos vacianadas para a swine flu. No ultimo mês só em Nova Deli foram reportados 300 casos e mais de 20 mortes (não esquecer que N. Deli tem 15 milhões de habitantes).

O Hospital é muito central, fica a 5min de Old Delhi, o que para nós foi fantástico J sair do Hospital e ir ao Red Fort, à mesquita, só andar nas ruas de Old Delhi é uma aventura.

Foi uma semana igual a muitas outras de estágio J acho que já estou em modo “não elective”. O regresso está muito próximo, não me apetece falar de estudo. Bem, no fim-de-semana fomos a Varanasi isso sim dá que falar ***


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sashi Cooking Classes


Hoje subimos para Nova Deli para as nossas 2 últimas semanas de elective na Índia.

Estivemos em viagem nos últimos dias. Goa – Aurangabad – Cavernas Ellora e Ajanta – Mumbai – Ahmedabad – Udaipur. Foi um corridinho de autocarros em viagens de 16 horas, comboios nocturnos 2 noites seguidas em sleeper class, avião e claro, o belo do táxi e riquexó… uma boa aventura. Enfim, apesar de termos passado tanto tempo em transportes, estamos na Índia J e não nos queixamos ;) entre o Hospital em Goa e o de Nova Deli sabe a férias.

E claro, moi na Índia (tal como o post do ashram) não seria a mesma coisa se não tivesse feito uma aula de culinária.

Em Ellora conheci uns alemães que me falaram de umas aulas de culinária aqui em Udaipur – Sashi Cooking Classes. Eles tinham adorado e não pouparam elogios à Sashi. Ficamos curiosas… e assim, vimos cá ter, a uma típica cozinha indiana (= lixo e baratas na parede).



 A Sashi tem 43 anos e cresceu numa aldeia do Rajastão. Casou cedo, com um marido que só conheceu no dia do seu casamento. Teve de aprender hindi porque só falava rajastani, teve 2 filhos e mudou-se para Udaipur com o marido. Diz que foi feliz. Enviuvou há 12 anos. Viu-se sozinha, com 2 filhos pequenos, sem emprego. Voltou para aldeia, onde teve de estar de luto 1 ano sem sair de casa. Durante esse ano tinha um ritual de choro duas vezes por dia com os restantes familiares que iam lá a casa, as mulheres de manhã e os homens de tarde!

A Sashi a fazer o masala chai.

Como é da casta mais alta, a casta Brahmin, a Sashi apenas pode ter alguns empregos considerados “mais dignos” como ser professora ou estudar textos sagrados! Voltou para Udaipur com os filhos (sitio onde sempre morou com o marido) e durante alguns anos lavou e passou roupa “às escondidas” dos seus familiares para conseguir ganhar algum dinheiro. Certo dia, há 3 anos atrás, um estrangeiro viu-a a cozinhar e pediu-lhe para provar a sua comida… e assim começaram as aulas de culinária da Sashi.


Havia um problema, a Sashi não falava ingles! Aprendeu com os turistas que iam passando e com os filhos que a ajudaram sempre. Diz que na 1ª aula a um casal de australianos estava tao nervosa que as suas pernas não paravam de tremer, tinha vergonha de não ser entendida. Hoje nao só fala ingles (e muito bem, passa a aula a dizer piadas), como sabe o nome de todos os alimentos e utensílios que usa em alemão, italiano, espanhol... 

Foi delicioso o curso J em todos os sentidos, para o paladar, para o olfacto, para a visão… se vierem a Udaipur não percam.

Em 4 horas a Sashi ensinou e cozinhou acho que quase todos os pratos indianos que já comi desde que cheguei. Aqui vai o nosso menu:
- Masala Chai
- Pakora de batata, cebola, outros vegetais
- Chutney de coentros e chutney de manga
- Masala de beringela e tomate (caril)
- Masala de grão-de-bico (caril) ou de lentilhas (o famoso dahl)
- Caril de espinafre e batata (aloo palak)
- Paneer (queijo caseiro)
- Paneer com espinafres e o viciante paneer butter masala
- Malai kofta (umas bolinhas de vegetais e batata servidas com masala!!! Claro)
- Biryani e pulau de vegetais = arroz
- E os famosos pães indianos: naan, chapatti e parotha… com diferentes recheios, doces, salgados., à vontade do freguês. O “coisa tipo panela” para fazer os pães pesa prai 4 kg mas acho que não vou resistir e vou enfiar uma dentro da mala.

E agora deliciem-se com as fotos.

A simpática Sashi com a Sofia.

As deliciosas pakoras com os chutneys.

A famosa masala = caril = molho que usam em todos os pratos.

As 7 especiarias usadas em quase tudo - chilli, sementes de oregãos, cominhos, turmeric, garam masal (que já é uma mistura de 5 especiarias: folhas de louro, canela, pimenta preta, cravinho e cardamomo preto), pó de coentros e sementes de anis.

Vegetable pulau.

A Sofia com a mão na massa...


Paneer com espinafres.



Naan com uma espécie de queijo e molho de tomate.

O almoço... que deu para o lanche e jantar...


Quem quer uma aulinha de culinária indiana? ;)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Because...

Tomorrow is Valentine´s day... porque hoje tenho net e amanhã não sei!

E porque hoje, dia 13, o meu coração está em Remelhe com o meu avô e o meu pai e toda a minha família. Love you all.























terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

People


Uma das boas coisas de viajar é conhecer pessoas. Ouvimos histórias fantásticas, conhecemos pessoas de lugares tão diferentes, partilhamos experiências, é mesmo uma das melhores coisas de viajar.

Hoje fizemos uma viagem às cavernas Ellora e a maneira mais fácil e barata é ir em grupo com outros turistas. Boring! podem estar a pensar, mas foi muito giro! O grupo era fantástico, no fim ficamos todos com vontade de trocar contactos. Foi mesmo muito bom.

Assim, eu e a Sofia conhecemos um casal de espanhóis com 50 e tal anos que decidiram vir para a Índia para fugir da crise! Trabalham os dois na Ibéria e existe uma grande probabilidade de serem despedidos. Disseram que passavam os dias zangados, a discutir, a espera de receber um e-mail, uma carta com más notícias do trabalho… decidiram juntar as férias e vir para a Índia, sem telefone, sem ir à Internet… estavam tão felizes J



Conhecemos o Greg, um americano do Texas, gordinho, que fumava 5 cigarros em cada paragem. O Greg até fez cartões de visita enquanto esteve em Kochi, há umas semanas atrás. Diz que assim pode dar o seu contacto a todas as pessoas interessantes que conhece. Se não tivéssemos conhecido o Greg não teríamos a oportunidade de possivelmente partilhar carro com ele daqui a 1 semana quando estivermos todos no Rajastão…

Também temos conhecido vários indianos mas confesso que tem sido mais difícil ser natural com eles. Sinto que tenho sempre de pé atrás. Tento seguir o meu feeling J e temos conhecido pessoas fantásticas, como o Kartik e o Manu em Kochi. São médicos internos, desejosos de acabar a especialidade e viajar pelo Mundo, que nos convidaram para o casamento deles que há de acontecer em 2 ou 3 anos (sim, porque apesar de nenhum dos 2 ter namorada, já estão a chegar aquela idade!!! E com 100% certeza vão casar brevemente).



O Samil é um interno de ano comum que quer muito ser radiologista para ter pouco trabalho (palavras dele!!!).

O Sushil é um indiano de Nova Delhi que tem 3 semanas de férias e decidiu vir conhecer o seu pais. Foram umas ferias tão planeadas e desejadas, que decidiu criar um blog onde partilha os locais por onde passa. Curiosamente esta foto foi tirada no mini Taj Mahal em Aurangabad e o Sushil, apesar de morar em Nova Deli nunca foi ao verdadeiro Taj Mahal.


Durante a viagem de Goa para Aurangabad conhecemos o Munit, um estudante de 23 anos, muito interessado em dar-nos a conhecer a sua cidade. Quis levar-nos a jantar e depois de alguma reserva lá aceitamos, e ainda bem J No fim do jantar perguntou se queríamos provar pann?! Eu virei-me para a Sofia e perguntei se ela tinha trazido a navalha!!! Pann é um tabaco que eles mascam e ficam com a boca e os dentes todos vermelhos! Alguns misturam pann com outras coisas menos legais. Aprendemos que pann também pode ser mascada como um digestivo J é uma folha de betel enrolada com um preparado à base de frutos secos, coco e especiarias destinada a ser mascada. Claro o Mudit fartou-se de rir…



E assim entre viagens também conhecemos a Guenevina(!) uma italiana que esta a viajar sozinha, que recuperou recentemente de um Linfoma de Hodgkin e quis vir conhecer outros mundos. Curiosamente esteve em Portugal no 25 de Abril de 74. Uns dias antes ela e uns amigos tinham ouvido umas noticias sobre Portugal e decidiram atravessar Espanha, ir a Grândola (tínhamos de ir a Grândola por causa da música do Zeca Afonso disse ela J) e seguir para Lisboa onde caminharam com cravos ao peito.



Conheci o Philipp Augustin (ahhhh grande suspiro… mais umas horas de conversa com o moço e tinha ficado (agora a cantar como o Toy) perdidamenteeeee apaixonadaaaa), um austríaco estudante de medicina que também esta a fazer um elective na índia. O Philipp é um dos meninos mais bonitos que já vi em toda a vida J ainda bem que não tenho uma foto dele! 

Conhecemos um casal de neo-zelandezes que curiosamente estava a procura de casa em Faro para fazerem uns dias de praia em Portugal quando estiverem em lua-de-mel daqui a uns meses em viagem pela Europa. 


E claro, last but not the least J conhecemos o Delfim. Uns dias antes de seguirmos viagem para Goa perguntei por acaso a uma amiga se conhecia alguém na Índia e ela deu-nos o contacto do Delfim em Goa (onde mora há 5 anos +6 anos de Nova Deli, já e quase indiano). E assim passamos uma fantástica semana em casa do Delfim em Goa. Obrigada Delfim pela casa, pela companhia, pelas conversas, pelo estágio no GMC, pela comida… enfim…


Estas são as coisas boas de viajar J para além de conhecermos um sítio novo, uma cultura diferente, conhecemos pessoas, conhecemos histórias, aventuras, partilhamos experiências, e-mails e promessas de futuros encontros. 




domingo, 10 de fevereiro de 2013

Goa Medical School Hospital


A nossa semana no Goa Medical College Hospital – GMC foi cheia de surpresas. Após um primeiro dia inicial de burocracias, muitos apertos de mão, conhecer o dean, ser apresentada a todos os professores e médicos que falavam português… and so on… lá conseguimos passar o resto da semana em diferentes departamentos do Hospital.

(entrada do Hospital, edifício novo com 3 anos!) 
(same place... different view!!)





A Goa Medical College é a 3ª escola médica mais antiga da Índia, fundada pelos portugueses em 1842. É o único Hospital de apoio terciário à população do estado de Goa. Existem ainda 2 Hospitais distritais, 5 Community Health Centres, 19 Centros de Saúde com apoio primário e dezenas de RMD – Rural Medical Dispensing, que dão apoio a populações mais isoladas geograficamente.

Apenas 20% da população local (1.4 milhões de pessoas) recorre ao GMC Hospital, que é um Hospital do governo, o restante 80% recorrer a Hospitais e Centros de Saúde privados.

O Hospital tem 1200 camas. São admitidos por ano aproximadamente 55.000 doentes e são realizadas 17.000 cirurgias.  Todos os medicamentos são free-of-charge para o doente, que só tem que os levantar na farmácia do Hospital mediante prescrição médica.

São vistos 1500 doentes por dia em Consulta Externa. Cada gabinete com 3 a 5 médicos a dar consulta simultaneamente. 
              

Em comparação com o Hospital onde estivemos em Kochi, pudemos observar várias diferenças, principalmente em relação as infra-estruturas do edifico. Este Hospital em Goa tem muito mau aspecto, com paredes sujas, lixo e entulho em todas as esquinas e corredores, mesmo dentro do Hospital, vidros partidos… enfim… sinceramente acho que eles nem reparam nisso… Os médicos daqui disseram-nos que este Hospital é um dos melhores Hospitais estatais da Índia, já que Goa também é um estado mais rico, com a 2ª maior taxa de literacia (a seguir a Kerala). Para terem uma ideia, a esperança média de vida das mulheres na Índia é 64 anos e em Goa é de 72 anos.





 

Durante a semana passamos 1 dia no Serviço de Ortopedia, onde vimos muitos mesmo muitos doentes com traumatismos devido a acidentes de estrada. Ficamos 1 dia no Serviço de Medicina Interna, e 1 dia nos Serviços de Pediatria e Ginecologia e Obstetrícia. Aqui, em qualquer momento que se entre na sala de partos é só esperar 5 minutos e há um bebe a nascer.

 



(Este jovem de 22 anos recebemos no SU durante a observação de ortopedia. Tinha tido um acidente de moto e chegou ao Hospital num riquexó, que ia a passar e o trouxe a ele e à mãe que também ia na motorizada. Felizmente ela só tinha escoriações. Ele partiu a tíbia e o perónio ...)

Sofia sempre interessada a fazer perguntas eh eh eh 

Os medicamentos da enfermaria. Todos dentro de frascos, no corredor das macas...

Foi muito bom ver uma realidade diferente da que estavamos habituadas em Kochi. E toda a gente nos disse que este é um dos bons Hospitais do Estado, como serão os outros?...

O Dr. Kakodkar que nos recebeu está muito interessado em receber outros estudantes de elective, deu-nos o contacto dele e de outros médicos em Hospitais noutras cidades que nos poderão receber quando quisermos voltar.  Se houver alguém interessado :) Acho que só não ficou ficou muito bem impressionado com a minha tatuagem no braço! Disse que se as pessoas virem a minha tatuagem vão tentar aproveitar-se de mim!!!!!!!!!!! porque dá a ideia que não "bato bem da bola"!!!!!!!!!!!!!!!! well :) não se pode ser perfeita não é? ;)