segunda-feira, 4 de março de 2013

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E pronto J a nossa viagem está a chegar ao fim.
63 dias.
Dias cheios de aventuras, descobertas, muitas coisas boas, pessoas... e claro a panela dos chapattis na mala ;)



2 meses em que tudo continuou ai em casa e de certa forma eu senti-me longe e fora da minha vida! Acho que o mais difícil foi não ter estado com a minha família quando a minha avó morreu. Como será agora entrar em casa dos meus avos e em vez de os encontrar aos 2 só ver o meu avô?

Um amigo que mora na Índia há 10 anos disse-me há umas semanas (assim meio a gozar meio a falar a sério) que até é injusto eu estar a fazer um elective na Índia porque estou a receber “dopping espiritual” (adorei a expressão) e que só quando chegar a casa vou perceber o quanto ganhei a nível pessoal com as coisas que vivi e descobri aqui. Obrigada Delfim pelas boas energias.

Agora voltar à rotina dos nossos dias em Portugal. Até me assusta o que ai vem. Sinto-me assim meia “drogada”. Chegar a Portugal, a casa, ao Harrison, aos estágios, ao carro….Não me sinto preparada para entrar a 100% na rotina de estudante de último ano de Medicina.

Vão ser meses difíceis a andar de um lado para o outro. Acho que fiquei mais tempo na Índia do que noutro sitio qualquer em 2013!!! Agora esperam-me 2 semanas em Faro seguidas de 2 em Amares, fim de semana em Faro para o assustador PPI e ir a correr para Lisboa onde fico 1 mês… voltar para Faro… e depois Amares outra vez… sempre de mochila às costas, sem casa, e claro, o mais importante super mega focada a estudar ah ah ah… uffa J fico cansada só de pensar. Espero estar dopada de Índia o suficiente para conseguir aguentar os próximos meses…

OBRIGADA a todos os meus amigos que me seguiram aqui. Foi mesmo muito importante sentir a vossa presença.



3000 visitas no blog em 2 meses.

OBRIGADA pelos comentários, pelas mensagens que recebi, pelos emails, pelo carinho. Acreditem que me ajudaram e muito a estar aqui estas semanas.

Obrigada à mefloquina por ter alterado o meu sono e me ter dado tantos sonhos bons J ehehehe e ainda me restam 2 comprimidos = 2 semanas de sweet dreams.


OBRIGADA A SOFIA por ter sido minha companheira nesta viagem. Não imagino esta experiência com outra pessoa. Foi maravilhoso viver contigo estes 63 dias. Foi tão bom, tão “natural”, tão “normal”… não consigo explicar. Foi como estar com uma irmã. 
Foi tudo de bom. 


ATÉ JÁ :) *****************



sábado, 2 de março de 2013

Cycling around II




















Varanasi


Até é injusto eu dizer isto!! Podia descrever Varanasi com tantos adjectivos ou palavras mas hoje só me ocorre 1 palavra – cocó!!!!!!!!!!!!!!! (ou merda se preferirem).



Varanasi é cocó de vaca, de cão, de cabra, de pessoas… a cidade é imunda, cheira muito mal, respira-se mal, vive-se mal.

Claro que fiquei contente por ter cá vindo. “Estar” verdadeiramente na Índia só se completa com uma visita a Varanasi mas, apetece-me bater no meu irmão por dizer “Varanasi é um máximo, é espectacular…”!!! Percebo porque se pode achar Varanasi interessante, fascinante mesmo, mas agora um máximo!!! Oh João!!

Talvez por não saber muito (ou mesmo quase nada) sobre o hinduísmo, foi-me um pouco difícil presenciar alguns dos seus rituais, como os corpos a serem queimados junto ao rio.


A cidade de Varanasi é considerada sagrada pelos hindus porque, segundo a  lenda, foi fundada pelo Shiva há 5000 anos. O rio Ganges (ou Ganga) também é sagrado e de acordo com a religião hindu, um banho no rio absolve a pessoa de todos os seus pecados. 

Então Varanasi + Ganges = ritual sagrado + ritual sagrado = passagem directa para o Nirvana, interrompendo o ciclo de reencarnações necessárias para a evolução da alma. Essa é, pelo menos, a crença local.

As cremações continuam 24h/ dia. O fumo e o cheiro são indescritíveis mas o pior mesmo é ver o tecido que envolve o corpo a arder com o primeiro fogo e o corpo da pessoa a ficar exposto… pendente… sobre os troncos incandescentes. Os minutos passam e o corpo começa a desmembrar-se. A pessoa responsável por “aquela fogueira”, indiferente a tudo pega numa perna que entretanto cai e atira-a para o meio do fogo…

Não sei bem se é verdade porque depois de me terem dito isto, ouvi um indiano dizer algo diferente a outro turista. Contaram-nos que nem toda a gente pode ser cremada. Crianças com menos de 10 anos, grávidas, doentes com lepra, sadhus (pessoas sagradas!) e pessoas que foram picadas por cobras, não são cremadas mas sim amarradas a uma pedra pesada e atirados ao Ganges!!!!!!!!!!!!! muito melhor não é?… O meu pai bem me avisou que podia ver um corpo a boiar no rio!

A vida em Varanasi é toda à volta do rio e dos seus ghats. Como o rio é sagrado serve para eles deitaram as cinzas e corpos mas não só!!!! È no Ganges que eles tomam banho, é no rio que lavam as vacas, é no rio que lavam a roupa, é no rio que lavam a comida…





 Felizmente para se ir aos ghats e ao rio não é preciso tirar o calçado (como se faz em todos os sítios sagrados) porque senão tinha usado 5 pares de meias ou via o Ganges de longe!

Também podia dizer que Varanasi é uma cidade cheia de cor, de vida, de simpatia, de movimento, de luz… é uma cidade muito fotogénica… mas hoje não me apetece.





quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sanjeevan Hospital New Delhi


Mais 1 semana, mais 1 Hospital.
A semana passou a correr desta vez no Serviço de Cardiologia, entre consulta externa, cuidados intensivos, ecgs, angiografias,… Foi uma semana de elective igual a qualquer um dos estágios que fizemos em Portugal. O Hospital é privado o que condiciona muito o tipo de doentes que vemos. Na Índia é fácil saber se uma pessoa é rica ou pobre! Se é gorda é rica, os pobres são todos magros… por isso neste Hospital, se calhar vou exagerar um bocadinho mas, acho que 80% dos doentes internados tinham excesso de peso. As pessoas internadas tinham na sua maioria complicações de diabetes, problemas cardiovasculares. Também vimos muitos doentes com doenças respiratórias, DPOC descompensada, bronquites, asma, … disseram-nos que são consequências da poluição de Deli. A verdade é que N. Deli está coberta por uma nuvem de poluição. O ar é mais pesado, mais difícil, áspero! Escuro!

Os médicos ficaram muito preocupados por não estarmos vacianadas para a swine flu. No ultimo mês só em Nova Deli foram reportados 300 casos e mais de 20 mortes (não esquecer que N. Deli tem 15 milhões de habitantes).

O Hospital é muito central, fica a 5min de Old Delhi, o que para nós foi fantástico J sair do Hospital e ir ao Red Fort, à mesquita, só andar nas ruas de Old Delhi é uma aventura.

Foi uma semana igual a muitas outras de estágio J acho que já estou em modo “não elective”. O regresso está muito próximo, não me apetece falar de estudo. Bem, no fim-de-semana fomos a Varanasi isso sim dá que falar ***


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sashi Cooking Classes


Hoje subimos para Nova Deli para as nossas 2 últimas semanas de elective na Índia.

Estivemos em viagem nos últimos dias. Goa – Aurangabad – Cavernas Ellora e Ajanta – Mumbai – Ahmedabad – Udaipur. Foi um corridinho de autocarros em viagens de 16 horas, comboios nocturnos 2 noites seguidas em sleeper class, avião e claro, o belo do táxi e riquexó… uma boa aventura. Enfim, apesar de termos passado tanto tempo em transportes, estamos na Índia J e não nos queixamos ;) entre o Hospital em Goa e o de Nova Deli sabe a férias.

E claro, moi na Índia (tal como o post do ashram) não seria a mesma coisa se não tivesse feito uma aula de culinária.

Em Ellora conheci uns alemães que me falaram de umas aulas de culinária aqui em Udaipur – Sashi Cooking Classes. Eles tinham adorado e não pouparam elogios à Sashi. Ficamos curiosas… e assim, vimos cá ter, a uma típica cozinha indiana (= lixo e baratas na parede).



 A Sashi tem 43 anos e cresceu numa aldeia do Rajastão. Casou cedo, com um marido que só conheceu no dia do seu casamento. Teve de aprender hindi porque só falava rajastani, teve 2 filhos e mudou-se para Udaipur com o marido. Diz que foi feliz. Enviuvou há 12 anos. Viu-se sozinha, com 2 filhos pequenos, sem emprego. Voltou para aldeia, onde teve de estar de luto 1 ano sem sair de casa. Durante esse ano tinha um ritual de choro duas vezes por dia com os restantes familiares que iam lá a casa, as mulheres de manhã e os homens de tarde!

A Sashi a fazer o masala chai.

Como é da casta mais alta, a casta Brahmin, a Sashi apenas pode ter alguns empregos considerados “mais dignos” como ser professora ou estudar textos sagrados! Voltou para Udaipur com os filhos (sitio onde sempre morou com o marido) e durante alguns anos lavou e passou roupa “às escondidas” dos seus familiares para conseguir ganhar algum dinheiro. Certo dia, há 3 anos atrás, um estrangeiro viu-a a cozinhar e pediu-lhe para provar a sua comida… e assim começaram as aulas de culinária da Sashi.


Havia um problema, a Sashi não falava ingles! Aprendeu com os turistas que iam passando e com os filhos que a ajudaram sempre. Diz que na 1ª aula a um casal de australianos estava tao nervosa que as suas pernas não paravam de tremer, tinha vergonha de não ser entendida. Hoje nao só fala ingles (e muito bem, passa a aula a dizer piadas), como sabe o nome de todos os alimentos e utensílios que usa em alemão, italiano, espanhol... 

Foi delicioso o curso J em todos os sentidos, para o paladar, para o olfacto, para a visão… se vierem a Udaipur não percam.

Em 4 horas a Sashi ensinou e cozinhou acho que quase todos os pratos indianos que já comi desde que cheguei. Aqui vai o nosso menu:
- Masala Chai
- Pakora de batata, cebola, outros vegetais
- Chutney de coentros e chutney de manga
- Masala de beringela e tomate (caril)
- Masala de grão-de-bico (caril) ou de lentilhas (o famoso dahl)
- Caril de espinafre e batata (aloo palak)
- Paneer (queijo caseiro)
- Paneer com espinafres e o viciante paneer butter masala
- Malai kofta (umas bolinhas de vegetais e batata servidas com masala!!! Claro)
- Biryani e pulau de vegetais = arroz
- E os famosos pães indianos: naan, chapatti e parotha… com diferentes recheios, doces, salgados., à vontade do freguês. O “coisa tipo panela” para fazer os pães pesa prai 4 kg mas acho que não vou resistir e vou enfiar uma dentro da mala.

E agora deliciem-se com as fotos.

A simpática Sashi com a Sofia.

As deliciosas pakoras com os chutneys.

A famosa masala = caril = molho que usam em todos os pratos.

As 7 especiarias usadas em quase tudo - chilli, sementes de oregãos, cominhos, turmeric, garam masal (que já é uma mistura de 5 especiarias: folhas de louro, canela, pimenta preta, cravinho e cardamomo preto), pó de coentros e sementes de anis.

Vegetable pulau.

A Sofia com a mão na massa...


Paneer com espinafres.



Naan com uma espécie de queijo e molho de tomate.

O almoço... que deu para o lanche e jantar...


Quem quer uma aulinha de culinária indiana? ;)